Em surpresa do Português, lateral brasileiro diz que não pensa em voltar ao Brasil tão cedo

Neste sábado, o Santa Clara visita o Benfica pela última rodada do Campeonato Português. E para o lateral Patrick Vieira, o jogo pode ter um sabor especial: estragar a festa de sua ex-equipe.

O brasileiro é um dos destaques do time recém-promovido da segunda divisão e que ocupa o sétimo lugar na competição.

"A experiência tem sido muito boa. Nossa equipe era desconhecida e ia brigar para não cair, mas surpreendemos todo mundo. Fizemos uma Liga muito tranquila e chegamos perto das competições europeias", disse, ao ESPN.com.br.

Aos 29 anos, Patrick Vieira teve passagem pela base de Cruzeiro e América-MG antes de rodar por Francana-SP, Betim-MG e ABC-RN. Em 2015, foi para o Marítimo-POR na Ilha da Madeira, no qual permaneceu duas temporadas.

Em agosto de 2016, a terra natal de Cristiano Ronaldo passou por terríveis incêndios que destruíram parte da vegetação local e causou grande destruição.

"Eu estava treinando e uma enorme nuvem negra que tomou a llha da Madeira toda. Não pudemos passar e tivemos que sair a pé. Graças a Deus não aconteceu nada com a gente", contou o brasileiro, que elogiou o auxílio de CR7.

"Só quem morou lá sabe da história que o Cristiano Ronaldo tem com aquele lugar. Por isso é tão querido por lá. Ajuda todo mundo. Algumas casas foram perdidas e o Ronaldo ajudou muita gente. Ele faz aquilo de coração e não pelo marketing", garantiu.

Em 2017, o brasileiro foi contratado pelo Benfica, porém, não chegou a ser utilizado em partidas oficiais. Com isso, acabou emprestado ao Vitória de Setúbal por uma temporada e depois indo ao Santa Clara.

Agora, ele tem a chance de tirar o título português do Benfica. Para que isso ocorra, é necessário uma vitória do Santa Clara e um triunfo do Porto contra o Sporting. O jogo será realizado no estádio da Luz, em Lisboa, às 14h30 (de Brasília), com transmissão da ESPN Brasil do WatchESPN.

Veja a entrevista com Patrick Vieira:

Como você começou no futebol?
Eu jogava em uma escolinha fizemos um amistoso contra o Cruzeiro, em 2003. Eu fui bem e me chamaram para a base, onde fiquei por cinco anos. Saí de casa para correr atrás do sonho. Joguei na Toca da Raposa com o Dudu e o Zé Eduardo, que foram campeão mundiais Sub-20 em 2011, além do Dodô e do Douglas Pires.

E como foi após sair do Cruzeiro?
Lá eu tinha escola, salário... era muito tranquilo. Quando saí de lá eu fui conhecer uma realidade diferente do futebol. Deixei cair um pouco [no ânimo] e fui para o Fluminense e depois no Santos, mas não deu certo. Eu estive na Vila Belmiro em 2007 e fiquei dois meses fazendo testes. Em 2008, fui para o América-MG que já me conhecia.

E a passagem pelo América-MG?
Na base do América-MG eu fiz alguns torneios fora do Brasil e subi aos profissionais quando o time estava na Série B. Daí, fui emprestado em 2011 para jogar pela Francana-SP na Copa Paulista e pegar experiência. Também fui emprestado ao Betim-MG e ao America-RN e joguei algum tempo pelo América-MG antes de sair.

Como surgiu o Marítimo?
Tinha ofertas do ABC e do Paraná, mas fui indicado ao Marítimo. Topei porque era m clube ótimo de se trabalhar e não pensei duas vezes;

Qual a importância do Cristiano Ronaldo para a Ilha da Madeira?
Só quem morou lá sabe da história que o Cristiano Ronaldo tem com aquele lugar. Por isso é tão querido por lá. Ajuda todo mundo. No último ano teve um incêndio que acabou com 40% da vegetação natural da lha. E algumas casas foram perdidas e o Ronaldo ajudou muita gente. Ele faz aquilo de coração e não pelo marketing.

Onde você estava no dia do incêndio?
No dia eu estava treinando no Marítimo do outro lado da Ilha da Madeira e vimos aquele incêndio. Uma enorme nuvem negra que tomou a llha da Madeira toda. Não pudemos passar e tivemos que sair a pé. Graças a Deus não aconteceu nada com a gente.

Como surgiu o Benfica? Por que não atuou por lá?
Eu fiz bons anos no Marítimo e fomos à final da Taça da Liga. No segundo ano, nos classificamos para Liga Europa e isso nos valorizou muito. Muitos jogadores saíram para outras equipes. Fui contratado pelo Benfica e fui emprestado ao Vitória de Setúbal. Não fico me remoendo porque não tive oportunidades. Era um direito do treinador não contar comigo. Não fiquei feliz de ser emprestado, queria jogar, mas fui feliz no Vitória. Eu tinha mais dois anos de contrato com Benfica e tive o convite de ir ao Santa Clara. Não queria ser mais emprestado, saí em comum acordo e estou aqui.

Qual a diferença de morar na Madeira e no arquipélago de Açores?
A Ilha da Madeira é muito desenvolvida, já o Açores é um pouco mais calmo e parado. A Madeira é mais badalada e muito turismo e coisas para se fazer. Minha família adorou morar por lá. Foi uma experiência ótima. Aqui tem as belezas naturais.

Como tem sido jogar pelo Santa Clara?
A experiência tem sido muito boa e a diretoria é muito família. Eles pensam nos jogadores, isso é gratificante. Eles são honestos e humildes na vontade de vencer. As mentalidades bateram. Nossa equipe era desconhecida e ia brigar para não cair, mas surpreendemos todo mundo. Fizemos uma Liga muito tranquila e chegamos perto das competições europeias.

Quais os planos para o futuro? 
Tenho quatro anos de Portugal e recebi alguns convites do Brasil, mas no momento não é meu interesse voltar. Me adaptei muito bem na Europa e só sairia para uma situação melhor e se fosse para ajudar ao Santa Clara financeiramente. Vai depender de como for esse final de temporada.

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